Casa de Vidro

aconteceu no dia 15.06, a abertura da intervenção “Casa de Vento” da artista Lucia Koch com parceria entre a Galeria Nara Roesler, Instituto Bardi e Uniflex

A artista fala com exclusividade para o leitor Uniflex sobre sua instalação “Casa de Vento”, na Casa de Vidro de Lina Bo Bardi, que acontece até o dia 31.08:

UN: Como se deu a aproximação Lucia Koch com a Uniflex?

LK: O convite para intervir na Casa de Vidro, feito pelo Instituto Lina Bo e Pietro M Bardi, veio das imagens do trabalho “Vento” instalado desde janeiro no Edifício Península em Porto Alegre, com as cortinas-filtro se movendo na paisagem da cidade, afetando seu entorno. Depois de aprovado o projeto e da impressão do tecido, apareceu a possibilidade de costurarmos as cortinas trabalhando com o suporte da fábrica da Uniflex, pois a empresa já era apoiadora de um evento agendado pelo Instituto. O apoio da Uniflex foi fundamental na execução e finalização das peças e, também, no fornecimento de trilhos e outros componentes, assim como o da Galeria Nara Roesler na realização do trabalho.

UN: Como foi fazer a intervenção em uma casa com tanta personalidade e história?

LK: "Casa de Vento" é uma intervenção temporária, ocupa apenas um momento da vida da casa. A Casa de Vidro foi o espaço da vida privada da arquiteta por 40 anos e o projeto marca o inicio de sua vida na cidade e no pais... nas fotografias de época, a casa parece um mirante de onde ela via a cidade se expandir, mas com o tempo a casa e a mata plantada por Lina formam um conjunto mais orgânico e sem distâncias, menos contemplativo. A presença de Lina Bo Bardi no ambiente cultural brasileiro e paulistano se estendeu a outras obras e projetos e foi no impacto da presença dela que pensei mais do que na forma arquitetônica da casa e em como os encontros que ali tiveram lugar iniciaram e afetaram tantos outros.

UN: Você já habitou outro edifício icônico em Porto Alegre com a instalação “Vento”. Qual a aproximação e distanciamento com o trabalho atual?

LK: O que me interessou em ambos - Edifício Península e Casa de Vidro - não foi seu aspecto icônico, nem mesmo no caso da obra de Lina Bo Bardi. Mas a chance de intervir num espaço doméstico, no qual colocar a cortina para fora significa uma inversão insensata e improvável. Colocar as cortinas "no tempo", expostas a chuva e sol, trabalhando com o que é instável, impossível de controlar... Não pensava tanto em revestir um objeto arquitetônico. "Vento" continua se movendo - ora agitado ora calmo - depois de seis meses instalado no Ed. Península, e passei a imaginar como poderia acontecer em outros espaços, mas no instante em que começamos a instalar o trabalho na Casa de Vidro, vi que não havia como antecipar completamente os efeitos possíveis ali.

UN: Com a instalação “Casa de Vento”, na Casa de Vidro, é possível observar uma poética fluida dialogando com o espaço, recriando um novo modo de concebê-lo através da categoria lugar e paisagem. É possível afirmar que esta obra opera outros sentidos para além da visão onde encontramos um tempo atual de penumbra e incertezas?

LK: Em condições bastante anormais de temperatura e pressão como as atuais, como lidar com uma perturbação atmosférica que só aumenta? "Casa de Vento" responde, é claro, a um espaço de invenção arquitetônica singular e potente, mas também ao momento que este lugar e todos nós vivemos - à violência e à carga dramática que experimentamos hoje. Pensei nisso quando criei os degradês, e quando escolhi o quanto seriam transparentes ou opacos os tecidos impressos, e que peso teriam.